Um dos principais pontos abordados atualmente quando tratamos da questão do desenvolvimento náutico de nosso país é a infra-estrutura disponível à comunidade adepta deste tipo de atividade. Reconhecidamente, o número de instalações destinadas ao apoio náutico, na forma de marinas públicas ou comerciais, garagens e clubes náuticos, tem sido apontado pela própria indústria de construtores de embarcações e seus implementos como um gargalo desafiador ao crescimento da náutica no país.
Na seqüência desse panorama, tem sido de conhecimento de quem é do setor a falta de um maior sucesso por parte da iniciativa privada em conseguir as devidas autorizações junto às autoridades competentes para o estabelecimento de empreendimentos como o de uma Marina.
Porém, uma vez passada a fase de aprovação legal para a implementação do empreendimento, acima do que é questionado pelas autoridades ambientais deve estar a postura proativa do empresariado em oferecer muito mais do que soluções que neutralizam o impacto gerado por suas atividades. Identifica-se uma oportunidade com muito espaço para ser desenvolvida no Brasil e que se mostra uma tendência global nessa indústria: o conceito de Marina como pólo difusor de valores ambientalmente corretos por quem navega em embarcações de esporte e recreio.
O primeiro ponto que gostaríamos de destacar quando começamos a tratar uma Marina sobre esse ponto de vista, o de um pólo difusor da melhor conduta náutica para com o meio ambiente, é que essa postura só é benéfica, pois os recursos investidos com esse propósito retornam sob forma de uma imagem positiva no mercado. Além disso, citaríamos como retorno ainda maior, a formação de uma cultura entre os usuários que vem a contribuir para a conservação do meio ao qual está inserido o Apoio Náutico, contribuindo para atratividade do local, e por sua vez do negócio, no médio e longo prazo.
O segundo ponto que gostaríamos de abordar é a necessidade de esta postura estar presente inicialmente na própria equipe funcional. É de suma importância que se invista não só em equipamentos ou processos adequados, mas também na educação de toda a equipe de colaboradores, da recepção à marinharia para que a Marina sirva-se da base de conhecimento daqueles que fazem o seu dia-a-dia. O colaborador é responsável pela imagem e conduta de uma Marina em cada serviço prestado. Uma vez que os colaboradores estejam cientes do que deve e do que não deve ser realizado visando uma postura ambientalmente adequada, a gerência terá em cada um a contribuição para a qualidade do negócio.
O terceiro ponto naturalmente está na capacidade que uma Marina ou Clube Náutico tem em envolver a sua comunidade de usuários, clientes ou associados, com os valores de conduta náutica ambientalmente sustentável. Isso abrange desde as escolinhas de vela, onde é possível educar aos jovens e iniciantes com as melhores práticas, passa ela organização de eventos como palestras e workshops educativos e vai à realização de navegadas de conscientização e ação junto ao meio ambiente.
A partir do momento em que cada vez mais Marinas, Garagens e Clubes Náuticos assumirem sua cota de responsabilidade na difusão das melhores práticas em relação ao meio ambiente, estruturando programas de educação ambiental interna e externamente, aí teremos um elemento a mais na avaliação das autoridades sobre a contribuição social a que esses estabelecimentos essencialmente têm o privilégio de exercer para o nosso país.
Saudações Náuticas,
Franco Marsillac